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Há muitos e muitos anos, quando eu nem havia nascido ainda, existia na Alemanha um alemão germânico chamado Hans. Uh! Que novidade! Introspectivo, Hans preferia os poemas de seu avô e olhar as estrelas a seguir a carreira médica, profissão do pai. Tentou curso superior de astronomia na cidade grande, porém seu intelecto de tranquilidade não se adaptou ao modo agitado da cidade. Resolveu então prestar serviço militar já que não havia rumores de guerra, e sua única intenção era passear a cavalo ao ar livre. Se o povo alemão é famoso por ser trabalhador, esse Hans aí era o cúmulo do comodismo. Certo dia, estava Hans passeando com seu cavalo pelos arredores do quartel quando seu cavalo subitamente teve um piripaque o o jogou ao chão. Hans se estatelou no solo, bem no caminho de um enorme canhão que vinha a mil, sendo puxado por muitos cavalos. Hans viu a cara da morte, com aquela caveira, a foice e tudo mais. Ele pensou: - Agh! Vou morreeeeeeeeeeeeeeee... Vendo aquele canhão se aproximando velozmente, Hans não teve dúvida de que iria morrer ali mesmo. Por sorte, o motorista (ou piloto, carroceiro, manobrista, sei lá) era muito habilidoso e conseguiu desviar do apavorado Hans.
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Em outra cidade, muitas milhas distante, a irmã de Hans teve um pressentimento estranho. Algo em seu coração dizia que seu irmão estava em perigo. Encucada com este aperto no coração, ela resolveu enviar a Hans um telegrama, pedindo para que informasse se estava bem. Hans achou impressionante o fato de sua irmã ter percebido que ele havia passado por uma situação de perigo e resolveu então pesquisar este estranho fenômeno. Entrou para a faculdade de Psicologia e durante muitos anos pesquisou fenômenos parapsicológicos, como a clarividência e as premonições, fenômenos estes que ninguém na época levava a sério (e mesmo hoje, a maioria das pessoas pensa que estes fenômenos são apenas fruto da imaginação). Como ele se interessava por um fenômeno que é ignorado pela ciência, passou a ser evitado pelos colegas e a ser alvo de piadas e desconsideração. Mesmo assim, continuou suas pesquisas, trabalhando sozinho nos laboratórios da universidade. Chegou a inventar um aparelho que, colocado na cabeça dos voluntários, registrava os campos magnéticos das diferentes áreas do cérebro. Seu aparelho foi considerado um embuste, uma bobagem inútil. Atormentado por uma infecção dérmica e pela depressão, Hans decidiu suicidar-se em 1941. Esta é a história real de Hans Berger. Como muitos outros cientistas, ele não pôde ver em vida os créditos de seu trabalho. Seu aparelho, que na época era considerado como uma bobagem inútil, é conhecido hoje como eletroencefalograma, ou EEG, e é responsável por salvar a vida de milhões de pessoas no mundo todo. Conheço várias pessoas que desistiram das idéias que tiveram simplesmente porque foram influenciadas pelas críticas de seus "amigos". Sempre que você pensar diferente vai haver um monte de gente querendo te impedir de sair do marasmo, da mesmice, do lugar comum. Se você acredita nas suas idéias, vá em frente. Não se deixe travar diante de pessoas negativas, que além de não criarem nada novo, incomodam-se quando vêem alguém criando. Um abraço! Everton Spolaor |
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