Pseudo-intelectual (ou intelectualóide, sabichão, metido a besta, como você preferir) é aquele sujeito asqueroso que procura demonstrar uma atividade ou exibir um conhecimento intelectual superior ao que de fato tem, acreditando que é dotado de neurônios especiais que se movem em velocidade superior à da luz e que, por ter um cérebro muito mais desenvolvido que o dos outros bípedes ao redor, rejeita qualquer opinião que não for exatamente igual à dele.
Normalmente, essa figura lê dois ou três livros ao longo de toda a vida, e isto já lhe é suficiente para sair por aí posando de PHD da sabedoria magnânima dos monges de cérebro avantajado. E ele realmente não está nem aí para a tua opinião. Tudo o que você disser estará errado, pois o único que sabe das coisas é ele. Pelo menos é o que ele pensa. Olha, não adianta você querer enfrentar esses pseudo-sabichões de comportamento esdrúxulo. É pura perda de tempo. Pois mesmo que estejam falando uma gigantesca asneira, eles irão sempre achar que estão corretos e que você não passa de um banana. Assim, você tem apenas duas opções quando se deparar com um destes espécimes obscuros da natureza humana:
Opção 1: Você pode ignorá-lo;
Opção 2: Você pode irritá-lo;
Opção 3: Não tem esta opção. Eu disse que são apenas duas opções.
Obviamente, a opção mais divertida é a opção 2. Por isso, cito abaixo algumas sugestões de como irritar um intelectualóide da vida, de acordo com sua classificação:
O intelectualóide do tipo "sabe-tudo": Formado pela faculdade Facebookson, é aquele hominídeo que faz a você uma pergunta e imediatamente começa a respondê-la, não dando chance de você sequer começar a pensar na resposta. Ele pergunta, responde e depois diz a você detalhadamente qual é a solução do problema, citando os pontos em que você está equivocado. É assinante da revista Veja e toda semana faz questão de puxar conversa sobre algum assunto que foi publicado nesta revista, só para mostrar que está por dentro das notícias e que sabe mais que você.
Como irritá-lo: É fácil. Quando ele disser algo do tipo "vocês viram que descobriram água na Lua?", faça a ele uma série de perguntas complicadas e idiotas, do tipo "que legal, mas me diz, é água do tipo didróxido de oxigênio com isótopo de trítio ou com isóbaro de bário"? Ou pergunte algo como "o detector usado era do tipo interferômetro de múons catódicos ou usaram um perfilador dióptrico de laser amarelo"? Depois de duas ou três perguntas ridículas deste tipo ele vai se enrolar todo, não vai conseguir responder e acabará fazendo papel de tonto que não sabe xongas patavinas. Não perca a chance de dizer "pô meu. Como é que tu lê uma notícia e não sabe nenhum detalhe? Na próxima vez, vê se procura se informar melhor!"
O revolucionário: Na maioria das vezes é um estudante universitário da área de humanas ou artes plásticas. Mas não de uma universidade consagrada, é claro. O normal é ter estudado na Facebookson. Ele usa chinelo do tipo alpargatas e camiseta do Che Guevara ou do Bob Marley. Diz que votou na Heloísa Helena, tem uma notável semelhança com os peixes (especialmente os olhos, que quase não se movem) e adora andar com gente feia. Em suas tergiversações, o assunto é, invariavelmente, a hercúlea e fenomenal opressão do sistema capitalista.
Como irritá-lo: Diga que maconha faz mal e que seria interessante transformar Cuba em um gigantesco parque temático exclusivo para os ricos, como fizeram em Dubai.
O "literato": É aquele vivente que fala devagar, com as palavras cuidadosamente escolhidas para que o texto esteja perfeitamente de acordo com as regras gramaticais. Adora recitar trechos de poemas e costuma enfiar frases de Freud ou Marx no meio de qualquer assunto, mesmo que o assunto seja cerveja ou mulher pelada. Considera o fim do mundo quando alguém escreve qualquer coisa incorretamente.
Como irritá-lo: Diga que o último livro que leu foi "O Pequeno Príncipe do Maquiavel" ou "O menino do dedo verde", e que o melhor escritor do mundo é o Paulo Coelho. Essa parte do Paulo Coelho você deve falar com convicção, com voz de trovão mesmo. Ah sim. E complemente dizendo que uma vez entrou numa biblioteca, mas fez isso só porque a atendente era uma gata.
O serviçal voluntário: É uma espécie de escravo que só fala sobre eficiência no trabalho, metas, cargos e coisas associadas ao ambiente da empresa. Poderia ser um tema interessante de conversar, se ele fosse o dono da empresa. Mas não é. É só um empregado que decidiu que a vida dele pertence ao seu chefe e que portanto o único assunto que ele deve abordar é o que interessa ao seu dono, o chefe. Sua maior diversão é transformar o happy hour da galera em uma palestra sobre metas e prazos. E depois ainda pede o feedback. Suas leituras não vão além dos livros de auto-ajuda, especialmente aquele sobre o roubo do queijo. Não é vaidoso, apenas faz seu "marketing pessoal" e não tem amigos, apenas seu "Networking".
Como irritá-lo: Pergunte a ele o que ele faz nas férias, e depois responda que a primeira coisa que você faz depois das férias é pegar a folhinha com o calendário do próximo ano e marcar com caneta vermelha todos os feriados. Espere ele chegar na parte mais empolgante da conversação e então o interrompa fingindo que precisa atender o celular. Repita isso sucessivamente, sempre nos momentos em que ele começar com esse papinho de eficácia e sinergia corporativa. Depois de atender o celular, diga apenas "ah, era engano. Mas e o Flamengo, como anda?"
"O místico": Enche sua casa de gnomos, incensos, livros sobre vidas passadas, patuás, jogos de tarô e cds da Enya. Fazem questão de sempre demonstrar calma, mas são os primeiros a dar chilique. Seguem uma média de quinze religiões diferentes, fora as sete que ainda está conhecendo.
Como irritá-lo: Fácil, quebre algum duende dele. Ou diga: "Eu acredito que não devemos acreditar nessas coisas."
O "cosmopolita": Sempre que vê algo que acha errado, diz: "na França não é assim" ou "Em Nova York, o dono que não limpar a titica do cachorro vai preso". Ao fazer um crítica, começa com "Esse é um problema do brasileiro...". Apesar de nunca ter saído do Brasil, sabe das leis de todos os países do mundo, e são todas melhores que as do Brasil.
Como irritá-lo: Diga que o francês é fedorento, o americano arrogante e que você é brasileiro e não desiste nunca. E que o Brasil é o melhor lugar do universo.
O tecnoplasta: Sabe tudo sobre informática, TV de última geração, câmeras, celulares, pendrives, HDS e toda essa parafernália eletrônica. Naturalmente, tudo o que ele compra é muito melhor que o aparelho que você tem.
Como irritá-lo: Para tudo que ele disser, responda dizendo que seu pai trouxe do Paraguai um aparelho igualzinho, que faz a mesma coisa, só que custou metade do preço e é enfeitado com LEDS piscantes.
O técnico: É aquele cara que fez um curso de engenharia, encanador, marketing, frentista, datilografia ou qualquer outro curso e agora fica achando que todo mundo é obrigado a saber os termos técnicos que ele faz questão de usar no dia-a-dia.
Como irritá-lo: Sempre que ele corrigi-lo sobre um termo técnico, comece a repetir insistentemente a palavra citada, como um papagaio. Por exemplo, se você disse "preciso trocar a lente da minha câmera fotográfica" e o xarope te corrige dizendo que "não é lente, o nome certo é objetiva", retruque com frases como essa: "Pois então, eu tenho uma câmera com uma OBJETIVA, e vi que a OBJETIVA está arranhada. Como a minha OBJETIVA está arranhada, pensei em procurar OBJETIVAS na internet com o objetivo de ter uma OBJETIVA melhor que a OBJETIVA que tenho hoje".
Mas atenção: Não esqueça de falar a palavra "objetiva" de forma destacada (mais alto e mais devagar, como se estivesse soletrando, e olhe pro xarope somente quando falar esta palavra). Isso certamente vai deixar o cara revoltado. Risos!
Evidentemente, este texto é tão somente uma brincadeira.
Espero que o tenha divertido.