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Veja, existem certas pessoas com as
quais você gosta de conversar, de conviver, de compartilhar experiências, e é
absolutamente irrelevante se estas pessoas especiais que te agradam são
detentoras de uma brilhante inteligência ou se são simplórias, de cérebro
obtuso, cabeças de taturana. Não é preciso ter inteligência sofisticada para ser
um bom amigo. Basta olhar para seu cão de estimação, se tens um, é claro. O cão
não é provido de um intelecto notável, embora eu já tenha conhecido pessoas cuja
imbecilidade supera em muito a de qualquer vira-latas, mas o bichano demonstra
um forte laço de amizade e confiança para com seu "dono". Devemos preservar as
boas amizades, as amizades verdadeiras. E uma amizade verdadeira independe do
grau de cultura ou de intelecto.

No entanto, todo homem que se preza, e até
mesmo aquele que não se preza, deveria acrescentar em suas relações
interpessoais o convívio com indivíduos de cultura e intelecto superior. Não é
lá muito prudente passar a vida sem trocar idéias diferentes daquelas discussões
sobre o tamanho da bundz da vizinha, sobre o novo escapamento do Maverick do
vizinho, sobre acontecimentos do ambiente de trabalho, sobre o escanteio que o
jogador errou no outro dia ou sobre aquela questão do tipo "será que vai
chover?". A vida é algo sério demais para ser apenas um lago de idéias
mixurucas, simplistas, mixadas (É mixada ou michada? Bem, de qualquer forma essa
idéia é bichada). Hum, essa frase fez-me lembrar de outra, que diz que a vida é
algo muito sério pra ser levado tão a sério.
Antes do despertar da internet e das
mídias sociais era complicado desenlaçar-se das garras (ou seriam laços?) da
ignorância. Aliás, é lá do século XIX que veio a frase "há certas amizades que
são como peixarias: com o tempo você acostuma com o mal cheiro". Naquele tempo
(epa! parece coisa de igreja) as pessoas viviam em suas cidades ou aldeias e
conheciam somente os parentes e vizinhos próximos. Isso porque era complicado se
deslocar. Não existiam carros, nem aviões, nem foguetes, nem naves
intergaláticas, nem máquinas de transposição molecular. A comunicação era
precária. Não existia telefone celular, nem internet, nem email, nem messenger,
nem porkut, nem compartilhador positrônico de pensamento, nem transmissor
nuclear de status cerebral. O mundo era bem menor. Assim, quem dava o azar de
nascer numa comunidade de burraldos estava condenado a ser mais um burraldo da
vida.

Hoje em dia só vive preso a um
grupo restrito de pessoas - e consequentemente de idéias - quem quer isso. Ficou
muito fácil compartilhar e debater idéias com pensadores de qualquer parte do
planeta. Só não debate quem não quer, ou quem acredita que já tem cultura e
inteligência suficientes. Einstein já dizia que a inteligência é democrática,
pois todo mundo acredita que já a tem o suficiente. Ops, quase fugi do assunto
de novo. Pois bem, hoje em dia é não é muito difícil encontrar pessoas
inteligentes e cultas. Se no meio em que você vive (no seu bairro, no seu
trabalho, na sua sala de aula etc.) não os encontrou, é só buscar em outros
locais.
Você tem o mundo todo para explorar.
E há também o mundo virtual, com os foruns de discussão, as mídias sociais.
Aproveite estes recursos e conheça os mais diversos pensadores deste mundo e,
quem sabe, até de outros mundo. kkk... conheço uns sujeitos que só podem ser
alienígenas... Mas não vá, em função disso, desprezar aquela amizade simples e
sincera de alguém que não está a fim de se aventurar pelo mundo das
idéias.
Um dos efeitos paralelos que surgem
em quem se engaja na busca de um nível mais refinado de pensar é que o vivente
começa a perder a tolerância para com a encheção de liguiça. Aos poucos você vai
deixando de ter saco pra falar sobre o tempo, sobre o BBBosta, sobre futebol e
essas coisas que só servem mesmo pra deixar a linguiça estufada. Mas falar
asneira nos momentos de descontração também pode ser sinal de
sabedoria. Ninguém pode ser considerado sábio apenas porque tem a mente cheia de
informações. Verdadeiro sábio é aquele que sabe conciliar com elegância o
conhecimento elevado dos elementos da natureza com a beleza das amizades simples
e verdadeiras.
Everton
Spolaor
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