Ao longo de nossas vidas é comum termos, de vez em quando, a sensação de que estamos agindo, falando ou pensando algo que parece não ter absolutamente nada a ver com nosso verdadeiro eu. Estou certo de que você já deve ter se deparado com um momento de sua vida no qual olhou para tudo e para todos ao seu redor e chegou a fazer a si próprio a seguinte pergunta:
O que é que estou fazendo aqui?
Talvez esta pergunta tenha surgido no dia em que você foi incumbido de fazer um trabalho simplesmente detestável, ou durante uma reunião com pessoas desagradáveis, ou em um passeio que era para ser agradável mas que por algum motivo se transformou em uma verdadeira tortura, ou, ainda, tenha simplesmente surgido do nada, em um momento absolutamente normal de sua vida. Seja qual tenha sido a fonte de sua indagação, o fato é que de vez em quando recebemos uma espécie de sinal, que tenta nos avisar que talvez estejamos fazendo algo que não deveríamos estar fazendo, que estamos nos desviando do caminho. Mas que caminho é esse?
Ocupados que estamos com nossas tarefas diárias e com nossa busca por dinheiro e satisfação, acabamos ignorando estas sensações, estes sinais de que algo está faltando em nossas vidas.
Quando acordamos pela manhã sentindo uma sensação de vazio no coração, quando o trabalho parece não ser o que deveríamos ter escolhido ou quando as pessoas se tornam insuportáveis, mesmo aquelas que normalmente nos são agradáveis, preferimos acreditar que se tratam de sensações passageiras, sem importância alguma. Preferimos não dar importância até mesmo para aqueles dias em que acordamos com uma estranha vontade de dar uma reviravolta na vida, de espernear, de mandar tudo pro alto, de chutar o pau da barraca. Ou, dependendo da pessoa, a
vontade é de apenas sentar em um canto e chorar. A gente sente que falta algo, mas não sabe exatamente o que é. Novamente, a sensação parece ser um sinal, que tenta nos avisar que estamos fazendo algo que não deveríamos estar fazendo, que estamos saindo dos trilhos, que estamos desviando do caminho. Mas, novamente, que caminho é esse?
Costumamos ignorar estes sinais porque fomos educados e programados para agir de acordo com aquilo que a sociedade definiu como sendo o certo e o errado, como sendo o real e o ilusório, como sendo relevante ou não. Fomos todos programados para agir e pensar de forma automática.
Sem perceber, pensamos, vemos e agimos como robôs. Perdemos contato com nosso verdadeiro eu e se não tivermos cuidado, esses momentos ilusórios podem se estender e se tornar a maior parte de nossas vidas.
Você alguma vez já se perguntou o porquê de às vezes ter a sensação de que há algo errado com você ou com o mundo? Já se perguntou por que freqüenta determinada religião? Por que usa determinado tipo de roupa? Por que ouve sempre os mesmos tipos de música? Por que às vezes tem a sensação de que falta algo em sua vida, mas não sabe exatamente o que é?
Por que assiste sempre aos mesmos programas na televisão? Por que sempre que olha para seu passado você tem a sensação de que o tempo passou muito rápido para você? Por que você se sente incomodado quando quer fazer algo que é contra as tradições e contra o comportamento padrão adotado pelas pessoas?
"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará", já dizia Jesus.
"Sejam a luz em vocês mesmos", já dizia Buda.
Este livro é um convite para juntos abandonarmos os velhos paradigmas e buscarmos novas premissas que proporcionem uma existência mais harmoniosa com nosso próprio eu e com as pessoas que nos cercam. Porque somente assim você poderá dizer que durante sua estadia neste mundo viveu uma vida realmente sua, e não a vida que os outros esperam que você leve.
Espero que o livro provoque pequenas reflexões, despertando em nós o interesse pela busca de nosso próprio entendimento daquilo que chamamos de realidade.
Boa leitura!
Everton Spolaor