Mar de pernas e cabeças
Ontem fiz uma coisa que não fazia há muitos anos. E engana-se quem pensa que estou falando em visitar a sogra ou algo assim.
Por volta das 15 horas, lá estava eu, no meio de uma massa de cabeças que balançavam sobre um mar de pernas apressadas. Em condições normais de temperatura e pressão eu estaria trabalhando em uma segunda-feira à tarde. Mas vejam só, lá estava eu, caminhando sem compromisso pelo centro da cidade. AH! Nada como tirar umas férias.
Entrei em uma loja, olhei uns artigos, futriquei num sebo. Nas calçadas as pessoas caminhavam como se estivessem tentando escapar de um ataque terrorista. As expressões em suas faces eram de preocupação. Olhando para a esquerda vi um sujeito cheio de papéis na mão e suando como um baterista de escola de samba. Mais adiante uma mulher caminhava apressadamente arrastando pelo braço uma criança com cara de choro. Uma morena comia sorvete como se aquela bola fosse a última do planeta. Os automóveis rugiam, pareciam querer passar uns por cima dos outros, com suas buzinas tocando a todo momento. E eu ali, na maior tranquilidade, dando a minha pernada.
Coisa estranha essa vida agitada que a gente leva. Estamos sempre ocupados, sempre fazendo alguma coisa, como se tivéssemos medo de parar e ficarmos apenas com nossos pensamentos.