Bem, talvez ele tenha falado que é ligar nós conosco, ou você consigo, ou talvez eu comigo mesmo. Não lembro direito, principalmente porque meu estômago estava roncando de fome. Mas o fato é que, ao invés de vir com aquela baboseira típica de pessoas exageradamente religiosas, o que o padre disse é uma grande verdade. Religião é conhecer a si próprio. É encontrar-se.
Continuando meus pensamentos, constatei que praticamente todos os problemas da humanidade são causados por definiência no relacionamento interpessoal. Olhe ao seu redor. Olhou? As pessoas estão sempre falando sobre o que fulano fez, sobre o que ciclano disse, sobre quem saiu com quem, sobre a roupa que a fulana usou, sobre o casamento da ciclana, sobre a filha da vizinha, sobre o que aquele colega deveria ter feito, sobre o que você teria feito se fosse aquele fulano lá. E ainda, se não estão falando sobre as outras pessoas, estão pensando em um jeito de causar alguma impressão sobre o que elas pensam. Preocupam-se no que fulano vai pensar sobre seu carro novo, sobre o que fulana vai pensar se a vir caminhando ao lado do beltrano, sobre o que irão pensar se pintar o cabelo de roxo, sobre o que os familiares pensariam se começasse a namorar com tal pessoa.
Se as pessoas começassem a se preocupar mais consigo própria, ao invés de ficar o tempo todo se preocupando com as mentes alheias, certamente o mundo seria um local bem melhor. Se bem que, como você pode ver, eu também estou falando de outras pessoas agora mesmo, então estou colaborando pra tornar o mundo pior... Ou, pensando melhor, não estou falando nada, estou escrevendo, então o mundo não vai ficar melhor nem pior, vai continuar tudo como está.
No meu entender, nosso planeta não precisa de mais rituais religiosos. Precisa, sim, é que as pessoas parem um pouco de se preocupar com besteiras e comecem a valorizar seu verdadeiro eu. É uma pena que exista tanta gente que pensa que religião é apenas um conjunto de regras que devem ser seguidas à risca, como se fôssemos todos ovelhas que precisam de um pastor. Pensam que somos ovelhas desorientadas que precisam de um salvador pra nos guiar.
Oras! Ovelha o caramba! Que se dane o pastor. Não preciso de um pseudo-moralista dizendo em que eu devo acreditar. Prefiro ser um lobo. Só não vou comer as ovelhas porque prefiro carne bovina. Se bem que se for uma ovelhinha jeitosinha...
Mas veja a diferença do lobo pra ovelha. A ovelha é um bicho sem graça. Anda sempre em grupos, e se o líder do grupo resolver se jogar em um abismo, todas as outras ovelhas se jogam junto. Eita bichinho idiota! Já o lobo é um bicho esperto. Ele respeita os outros lobos e divide com eles algumas atividades, mas é um bicho livre, vai onde está a fim de ir. Se ele vê uma loba no outro lado da moita, ele não fica perguntando "ei, o que vocês acham? vou lá na lobinha ou não?". Ele simplesmente vai lá e pimba. Não entendo como há pessoas que preferem ser ovelhas.
Não vou dizer que nunca falo das outras pessoas. De vez em quando penso sobre o que alguém pode estar pensando, e de vez em quando até falo mal de alguém. Afinal de contas, sou um ser humano. Se bem que já disseram que sou um alienígena, mas acho que sou um ser humano... quer dizer... estou meio confuso... De qualquer forma, falar de alguém uma ou outra vez é perfeitamente normal. O problema é quando o foco de suas conversas costuma ser sempre as outras pessoas. Aí é que mora o capeta.
Um abraço!
Everton Spolaor