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Everton Spolaor
Sou um simples mortal que cultiva o constante aprimoramento do intelecto e que se esforça para tornar este mundo um pouco melhor. Seja bem vindo ao meu website.
Fontes de Inspiração:
Emerson, Einstein, Krishnamurti, Charles Darwin, Thoreau

Oportunidades diárias para fazer o bem
Everton Spolaor - 29/09/2009

Nessa vida agitada que levamos, sempre com nossa paciência sendo testada porque não temos tempo para nada, muitas vezes acabamos perdendo oportunidades de fazer uma coisa bem legal. Veja este exemplo.

Hoje, para terminar o dia de forma diferente, o pneu do meu carro decidiu por conta própria que deveria esvair-se de todo seu conteúdo, e esvaziou-se. Obviamente, ele escolheu fazer isso no dia mais chuvosso dos últimos tempos.

Para resolver o problema eu poderia tranquilamente telefonar para o serviço de assistência do seguro veicular e pedir para alguém vir trocar o pneu pra mim, pois assim não me molharia e ficaria aguardando confortavelmente dentro do carro. Mas além de ser ridículo um homem não trocar o pneu do próprio carro, eu não tenho paciência pra ficar esperando um mecânico chegar . Então preferi enfrentar a chuva e fazer logo a troca do pneu, pois assim poderia ir logo pra casa e comer um pãozinho com salsicha, nata e queijo esquentado no microondas.



Depois de trocar a roda, fui até uma borracharia para consertar o furo. O borracheiro é um sujeito curioso. Por algum motivo sua aparência fez-me lembrar do Leôncio, aquele personagem das histórias do Pica-pau. Logo fiquei sabendo que ele é conhecido como "Bigode". Isso explica o nome do lugar, borracharia do Bigode. Pois bem, o seu Bigode é um sujeito muito caprichoso, trabalhou sempre tomando cuidado para não sujar ou arranhar o carro, e falava mais que locutor de futebol de radinho de pilha, contando mil e uma histórias. Depois de consertar o furaco e colocar o estepe de volta no lugar certo, arrumando as ferramentas que eu havia deixado atiradas ele disse:

- Prontinho doutô! Pódi rodá no sussegu.

Entonces perguntei quanto custava o serviço, e o borracheiro respondeu "cinco pilas".

Ah, fala sério, que barato! Com cinco "pilas" não dá nem pra tomar um cafezinho no shopping, e olha que o atendimento do borracheiro foi muito melhor que o daquelas moças mal humoradas que te atendem no café do shopping.

Na hora, como eu ainda tinha que dirigir até Blumenau e já estava com a paciência atropelada, saquei os cinco reais e paguei pelo bom serviço que ele prestou. Mas enquanto dirigia, uma voz na minha consciência começou a atazanar minha paciência, dizendo-me algo assim:

- Pow, o cara te atendeu super bem e tu deu só cinco pilas de pagamento? Não dá nem pra tomar um café com isso... Que mão de vaca, meu!

Tenho certeza de que se ao invés de 5 reais eu tivesse dado 10 reais, o nobre borracheiro teria se alegrado bastante. Não pelo valor pago (afinal de contas, 5 ou 10 reais não servem para muita coisa mesmo), mas pelo reconhecimento pelo bom serviço prestado.

Muitas vezes reclamamos que nosso trabalho não está tendo o devido reconhecimento, o devido merecimento. Mas nós reconhecemos o trabalho alheio?

Um abraço,

Everton Spolaor



Comentários dos visitantes

De: João Alfredo
Outubro/ 2009

Diga-me você aí: porque é que tem gente que tem mania de chamar a gente de "doutô"?

Isso vem da escravidão. É uma forma de agradar o senhor de engenho da atualidade, o que detém o poder ($$$)
Uma forma de ficar submisso e assim receber um agrado, como um cachorro que pede um afago Palavras cruéis. Mas, reais porque será que o cara não disse " Prontinho paciente! Pódi rodá no sussegu"?
Ele não se acha superior e sim serviçal.

Procuro sempre reconhecer. Da mesma forma que espero ser reconhecido É respeitar para ser respeitado.
Mas, na boa. Ando meio sem saco com o ser humano... gosto mais de ficar com a minha cachorra.

De: Elaine
Outubro/ 2009

"Muitas vezes reclamamos que nosso trabalho não está tendo o devido reconhecimento, o devido merecimento. Mas nós reconhecemos o trabalho alheio? Diga você. Reconheces os trabalhos alheios? "

hummmmmmmmmmmmmmmm
Pelo menos prá mim (que nestes tempos ando fazendo bastante trabalho em grupo), a máxima "elogie e será elogiado" tem funcionado.
O que vejo e gosto, eu falo.
O que posso animar, eu motivo.
E tenho encontrado reciprocidade.
Mas não me causou surpresa, que o "mecânico" atendesse melhor do que no shopping. Apesar da mídia apregoar o oposto, o fato é que vivendo de forma mais simples, encontra-se mais razões prá ser feliz (ou alegre).
Em outras palavras: quem trabalha "no shopping", está sob pressão e críticas todo o tempo. Há um padrão de qualidade exigente a ser seguido. Há clientes muito ranzinzas a serem atendidos. Há fiscais da prefeitura, da saúde pública, do próprio shopping. E assim, o patrão também coloca mais fiscais... Muita cobrança, imensa exigência, e o constante risco da reprimenda e da sanção... É a ditatura do "melhor"...

Já o mecânico... bem menos.
A vida é mais simples, as exigências são menores. Sobra tempo prá ouvir causos, já que, na vidinha mais simples que ele tem, não há trintaeduas pessoas procurando os erros que ele "poderia" fazer ao executar seu trabalho.

De: Rogério
Outubro/ 2009

Primeiro Everton, parabéns, vc é campeão na criação de um tópico.. depois volto pra responder.
Muitas vezes reclamamos que nosso trabalho não está tendo o devido reconhecimento, o devido merecimento. Mas nós reconhecemos o trabalho alheio?
Diga você. Reconheces os trabalhos alheios?
Saca a lei da mais valia? Acho que nesse aspecto é que ela pega mais. Somos, por essencia, discriminatórios em relação a serviços, digamos, braçais, aqueles que são feitos por pessoas menos privilegiadas de inteligencia, sei lá.
Mas todo trabalho tem seu valor e sua função. quando desempenhado com competencia, determina o tanto que aquela pessoa é capaz de ser educada, mesmo não tendo berço, eficiente, mesmo não sendo bacharel, coerente, mesmo não andando de carro zero e, acima de tudo, ser humano digno e respeitável.
Reconheço sim. Sei o quanto vale tanto um borracheiro, quanto um médico. Cada um no seu cada um exercem papéis fundamentais no meu dia a dia.

De: Francisco
Outubro/ 2009

Gostei do texto e da pergunta.
Diga você. Reconheces os trabalhos alheios?
sempre procuro reconhecer, afinal a maioria das pessoas q fazem parte do meu dia- a- dia são das classes menos favorecidas.
uma coisa é fato,aqui só querem valorização para medicos professores e outros concursados.

De: Nana
Outubro/2009

Eu reconheço sim o trabalho alheio. Sou do tipo que se sou bem atendida e tenho uma grana extra a deixo de gorjeta. Se não, ao menos digo um muito obrigada e me mostro satisfeita com o serviço.

De: MLLAGO
Outubro/2009

Caramba amigão, muito legal!
Não só reconheço o trabalho alheio como elogio sempre.
Todo esforço deve ser recompensado.
Incentivar e elogiar é nosso dever como pessoas que amam o seu próximo(como a nós mesmos).

De: Ange
Outubro/2009

Gostei das considerações, fez pensar...
É mais fácil reclamar de um serviço mal feito do que elogiar um bom atendimento. Acho que nem sempre reconheço não... as vezes estou muito preocupada comigo para enxergar além ... infelizmente.

De: Elemer
Outubro/2009

Everton, o mundo ainda precisa muito de você.
Valeu pela reflexão.
Por isso quando vou a uma pizzaria ou restaurante, as pessoas que mais recebem minha atenção, são os garçãos.
Imagino eu num sábado à noite numa pizzaria, numa boa, e o cara trabalhando. Ou num almoço de domingo num restaurante, almoçando com a família, e o cara lá, trabalhando.
Aquele senhor que cuida dos carros ali na pizzaria casarão, sempre leva uns trocados meus. É instinto, nem sei porque.
Valeu, um abraço.



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