Ao longo dos anos eu fui percebendo que para obter privilégios e
ascensão profissional muitas pessoas utilizam técnicas que estão
longe de poderem ser consideradas éticas. São pessoas que apelam para
a bajulação explícita dos dirigentes da empresa, fazem comentários
maldosos sobre seus colegas a fim de denegrir a imagem deles, armam
estratégias para puxar o tapete dos outros e agem sempre com
falsidade, enganando seus colegas de trabalho e gerando uma série de
desconfortos que acabam abalando o clima organizacional. Mas por que
as pessoas agem assim em seu local de trabalho? E por que alguns
dirigentes preferem promover um bajulador (conhecido também como puxa-
saco) a promover uma pessoa realmente capacitada? Por que existe
tanta falsidade entre as pessoas?
Dentre os diversos tipos de comportamentos existentes nas empresas
(fofoqueiros, brincalhões, chorões, revoltados etc.), creio que os
piores são os que formam a dupla puxa-saco e saco-puxável. Quando
estes dois se encontram, é horrível. Horrível para quem está ao redor.
É claro que ninguém está imune a adotar, de vez em quando, atitudes
características de um legítimo puxa-saco. Quem nunca bajulou alguém?
Quem nunca se fez de meloso pra conseguir o carro emprestado com o
pai? Isso tudo é absolutamente normal. Porém, fazer uma bajulação
aqui e ali, esporadicamente, é uma coisa bem diferente daquilo que
caracteriza um puxa-saco.
É perfeitamente normal existirem pessoas que mantêm com o patrão um
relacionamento de amizade. Eu mesmo já tive patrões que eram ótimas
pessoas, com as quais era um prazer discorrer em longas conversas.
Ser amigo do patrão não caracteriza um comportamento de bajulação. O
que eu chamo de bajulador é aquela pessoa que vive elogiando seu
superior mesmo quando este o ignora ou o trata de forma
desrespeitosa. É incrível como existem pessoas assim. Conheço pessoas
que odeiam seu chefe, mas mesmo assim sempre o convidam para
jantares, churrascos, festas de aniversário ou para tomar uma cerveja
num bar. É impressionante como algumas pessoas não têm amor próprio.
Conheço uma pessoa que, para agradar seu patrão, ofereceu-se para
digitar todo o trabalho de conclusão do curso dele. O sujeito passava
horas na frente do computador, fazendo pesquisas e digitando textos
para o patrão. Enquanto todos os colegas davam um duro danado para tocar as tarefas diárias, o puxa-saco ficava ali, prestando favores pessoais no horário de trabalho. Deixava de passar o fim de tarde com a esposa, só pra
agradar o chefinho. Isso é ridículo. Assim, a empresa perde, os colegas perdem, todo mundo perde, menos o puxa-saco, que vai conseguir maior facilidade para uma promoção ou aumento de salário. O
profissional que realmente veste a camisa da empresa, que traz lucros
e valor à empresa é deixado em segundo plano.
Na minha opinião, o puxa-saco é uma pessoa medíocre e que não tem
competência para subir na empresa através dos seus próprios méritos,
necessitando, então, ficar fazendo agradinhos aos seus superiores.
No caso desta pessoa citada, a mediocricidade era explícita, porque apesar de viver fazendo todo tipo de bajulação, os comentários que ele fazia do patrão eram sempre sarcásticos e pejorativos. Como é que pode alguém bajular uma pessoa e depois falar mal dela pelas costas? Tem patrão que é cego mesmo, ou que adora viver no mundo do faz-de-conta.
Mas até que ponto é possível manter com o patrão uma relação amigável
e respeitosa sem ser taxado de puxa-saco pelos colegas?
Creio que ser amigo do patrão não tem nada a ver com bajulação, desde
que o tratamento que você dá a ele seja da mesma qualidade que você
dá aos colegas. Se você é uma pessoa que cultiva o bom relacionamento
com seus colegas e faz o mesmo para com seu patrão, então você não é
um puxa-saco. É fácil perceber a diferença.
Mas o que fazer quando o patrão é um tipo de pessoa que gosta que o
bajulem e dá mais atenção às pessoas que o elogiam e que puxam seu
saco? Vale a pena entrar no jogo e ser mais um babão? Ou o
profissionalismo sempre prevalece? O que fazer quando o patrão
promove seu colega puramente por puxação de saco, ao invés de
promover alguém realmente competente? Mudar de empresa?
Gostaria de saber a opinião de vocês.
Um abraço.
Everton Spolaor