Mas que peixe será que eu havia pescado?
Bem, dentre as milhares de espécies de peixe que existem por estas querências, eu conheço somente duas: sardinha e atum. É bem fácil reconhecê-los. Vejam:
ATUM: Vem em uma lata redonda.
SARDINHA: Vem em uma lata alongada.
O problema é que o peixe que eu peguei não veio enlatado, então eu não fazia a menor idéia de sua identidade, clã, casta, nível social ou profissão. Mas um sujeito que passava por ali jurou que era uma sardinha. Bem, o cheiro do bicho era de sardinha, e a cara dele era de sardinha. Então, acho que era mesmo uma sardinha.
Mas por que diachos estou falando tanto em sardinha? Bem, primeiro porque agora a pouco eu comi um pão recheado com este delicioso espécime marinho. Nham! Muito bão! Mas o que eu quero mesmo é propor uma reflexão sobre o fato de muita gente considerar que:
SARDINHA É COISA DE POBRE.
Sinceramente, nunca vi nenhum rico chegar num restaurante chique e pedir pro garçom:
- Por favor, sirva-me um cabernet blanc e um prato de sardinha.
Claro, há uma explicação. Tudo nesta vida tem uma explicação, e é muito bom conhecer as explicações (se bem que duas coisas nessa vida a gente jamais deve desejar que alguém explique: como se faz linguiça, e o que passa na cabeça das mulheres).
Então vamos à explicação do porque sardinha é considerada comida de pobre.
Bem, é simples: Tem muita sardinha sobrando no mundo!
Pow, sardinha é um bicho que se replica mais que guarda-chuva de camelô em dia de tempestade. Tem sardinha em qualquer mar do mundo, seja em locais frios ou quentes. Oras, a gente sabe muito bem que rico normalmente tem umas manias bestas de querer tudo com exclusividade. Quando vai comprar uma roupa, ele quer uma que ninguém mais tenha igual. Quer carros exclusivos, TV gigante exclusiva, cafeteira exclusiva, amante exclusiva e, é claro, peixe exclusivo. Ele não quer comer um peixinho sem graça que qualquer um consegue pegar, até mesmo usando pedaços de bacon que sobraram da feijoada. Ele quer um.... hã... sei lá, peixe espada, peixe-ouro, peixe-leopardo, peixe-gisele-bundchen, ou qualquer coisa mais sofisticada.
Finalizando, eu pergunto então a vocês:
Se sardinha fosse um peixe raro, que, suponhetemos (ops!), só existisse em um local secreto no meio de uma ilha longínqua, vocês acham que então este peixe seria comida de rico?
Pronto, viajei na maionese. E como é bom pão, maionese e sardinha!
Um abraço,
Everton Spolaor